PRAZERES
(Indriso)

Meus prazeres são profundos
Salpicados com muito riso
Ostento no rosto um brilho

Mas quando a emoção me abandona o rosto
Sinto em dobro todo o desgosto
Fico vazia e sem vida

Uma ou duas lágrimas escorrem

Enquanto me cicatrizam a ferida



PSIQUE E CUPIDO


Tal encanto não se via, entre as belas era a mais bela mortal
Exaltada, em canções entoadas, tão linda não se conhecia
Usurpou a glória da deusa universal

Mas embora dona de tal virtude, não conseguia despertar nos homens, amor
E por um deus-monstro foi amada, o mesmo que a desposou
No alto de uma montanha, por um vento foi elevada, e levitou

Tal encanto se quebraria, quando logo veio a descobrir
Pela luz das velas que luziam, que o marido que de beijos a cobria
Não era monstro, mas Cupido, o deus do Amor, que alegria!

Magoado com tal atitude, o deus logo ficou indignado
_ Psique, é assim que retribuis o meu amor? - perguntou
O castigo foi perdê-lo, e pela sua desconfiança seu amor lhe foi negado

Correu ao templo, desesperada, e a todos os deuses implorou
Pelo perdão de seu marido, que revoltado, o negou
E assim desconcertada, pelos deuses foi notada, o que lhe deu esperanças

Cumpriu suas tarefas divinas, e com asas coloridas, amou
Cupido, solitário, não suportando viver sem a amada, seu perdão concedeu
Retirada de seu sono pela ponta de uma flecha, Psique despertou

Por tais feitos, Cupido a um deus suplicou e este a tornou imortal
O que começara duvidoso, por fim perpétuo se tornou
Unindo o casal para sempre, em laços inquebráveis de amor

E da união de tais seres, na forma de uma criança
Nasceu logo uma esperança chamada Prazer
Que bela visão, celestial imagem, pura essência de viver!




Olá! O Blog "Borboletando Poesia" está iniciando uma nova etapa. Aos domingos e quartas haverá atualização, ou seja, uma nova poesia ou um texto estará disponibilizado no blog para os leitores. Conto com a ajuda de vocês, expressando opiniões através dos comentários. FELIZ NATAL! E hoje, inaugurando a nova etapa do Blog, uma poesia chamada:

METAMORFOSE

Minha vida consiste agora
De idas e vindas
Partidas e chegadas
Chegou a hora

Mudança, transformação
Ao alcance da minha mão
É só eu querer
Deixar acontecer

Vou me arriscar, tentar
Sem medo de fracassar
Não olharei para trás

E se eu vier a chorar
Não será por covardia
Minha noite enfim, tornar-se-á dia


Tempestade

Ouço ao longe tempestade
Dentro em mim, ansiedade
Tempo passa, passatempo
Rufa o trovão da verdade

Revoada de passarinhos
Na minha cabeça, fazem ninhos
Os pensamentos em desalinho
Mudo aos poucos, devagarzinho

Chove logo água forte, que me limpa por inteira
Leva embora a tristeza, me deixa toda faceira
Não sou uma mulher e meia

Sopra o vento, me empurra forte
Não cedo espaço, melhor a morte
Por fim, selará minha sorte

Amor de Borboleta

Como bailam borboletas, em meio às flores nos jardins

Meu coração se aquece quando percebo

Que só assim te tenho pra mim


Deixando-te livre para ir e vir, sem rédeas ou redes

Sem nada que te prenda, que te segure enfim

Esse é o amor que permanece, o da liberdade


E em meio à lágrimas de alívio, quedo quieta a pensar


Que não existe em mim outra escolha, a não ser te amar

Destino

Destino, não sou tua senhora,
não mando no que me reservas,
nem comando as tuas ações.
Não comando as minhas horas,
não domino o meu tempo,
nem conheço toda a verdade.
Observo.
Aproveito as oportunidades.
Mas meu esforço é inútil!
Serei diva, mito, deusa ou musa?
Não... sou apenas uma mulher, sou terrena.
Este é o meu veredito.
Que executem a minha sentença, e que tirem as suas conclusões,
pois tudo é vapor, e não passa de um sopro.
Transitório.
Ilusões.
Destino, de nada sou senhora,
nem do meu próprio coração.
Me declaro culpada,manipulo emoções.

O sagrado, santo e imaculado
amor, com o qual te amo,
me faz te pôr em um altar.

Mas meu coração profano,
tão cheio de desejos insanos,
busca ainda se aventurar.

Entre o céu e o inferno,
da primavera ao inverno,
me peso na balança.
Aonde tudo isso vai me levar?

Então mantenho meus pensamentos castos,
diante de um terreno vasto,
que é o do coração.

Venha o teu amor me envolver,
e que toda dúvida possa desfazer,
a fim de me tornar plena e satisfeita,
até o dia em que eu morrer.

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