Salpicados com muito riso
Ostento no rosto um brilho
Mas quando a emoção me abandona o rosto
Sinto em dobro todo o desgosto
Fico vazia e sem vida
Uma ou duas lágrimas escorrem
Enquanto me cicatrizam a ferida
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Ouço ao longe tempestade
Dentro em mim, ansiedade
Tempo passa, passatempo
Rufa o trovão da verdade
Revoada de passarinhos
Na minha cabeça, fazem ninhos
Os pensamentos em desalinho
Mudo aos poucos, devagarzinho
Chove logo água forte, que me limpa por inteira
Leva embora a tristeza, me deixa toda faceira
Não sou uma mulher e meia
Sopra o vento, me empurra forte
Não cedo espaço, melhor a morte
Por fim, selará minha sorte
Como bailam borboletas, em meio às flores nos jardins
Meu coração se aquece quando percebo
Que só assim te tenho pra mim
Deixando-te livre para ir e vir, sem rédeas ou redes
Sem nada que te prenda, que te segure enfim
Esse é o amor que permanece, o da liberdade
E em meio à lágrimas de alívio, quedo quieta a pensar
Que não existe em mim outra escolha, a não ser te amar
Destino, não sou tua senhora,
não mando no que me reservas,
nem comando as tuas ações.
Não comando as minhas horas,
não domino o meu tempo,
nem conheço toda a verdade.
Observo.
Aproveito as oportunidades.
Mas meu esforço é inútil!
Serei diva, mito, deusa ou musa?
Não... sou apenas uma mulher, sou terrena.
Este é o meu veredito.
Que executem a minha sentença, e que tirem as suas conclusões,
pois tudo é vapor, e não passa de um sopro.
Transitório.
Ilusões.
Destino, de nada sou senhora,
nem do meu próprio coração.
Me declaro culpada,manipulo emoções.
Mas meu coração profano,
Entre o céu e o inferno,
Então mantenho meus pensamentos castos,
Venha o teu amor me envolver,

